A terceira margem do trabalho
Resumo
O rio tem duas margens. É a experiência sensível de ver com meus olhos as margens barrentas, escorregadias: as duas margens do rio. Não importa se é rio pequeno, riacho, ribeira, córrego ou até mesmo a metáfora do rio terrestre, o dito “rio voador”. Corrigindo: “metáfora” sensível e visível. Em todas as variações e em outras, me curvo ao enigma. Onde fica a terceira margem de todas as espécies de rios? A dita “terceira margem do rio” existe sim em imaginação ou fantasia, dentro de mim, mergulhada na minha subjetividade impalpável e invisível. Contudo os meus olhos não veem a terceira margem de todos os rios do mundo. Só sombra das sombras de coisas reais, dos rios de verdade. Ou talvez – quem sabe ao certo? – é fiapo da realidade enlaçado ao conto de João Guimarães Rosa, uma das suas Primeiras Estórias, talvez a mais conhecida dentre todas, nomeada “A terceira margem do rio”.