Videovigilância e punição no trabalho

Leonardo José Ostronoff

Resumo


As novas tecnologias de videovigilância espalharam-se pelos mais diversos espaços. A mesma tecnologia das prisões é usada nos supermercados. Todo vigiar produz um modo de se comportar aos sujeitos. Assim, interessa entender a maneira que a videovigilância gera comportamentos no espaço dos hipermercados. Ao observar os sistemas de vigilância pode-se também investigar os sistemas de punição. Os estudos sobre o PCC demonstram a formação de sistemas de punições extra-oficias criados nas prisões.  A violência que antes era baseada em assassinatos tornou-se menos visível e travestiu-se em uma pressão psicológica onde a possibilidade implícita da morte se constituiu em um elemento central no controle da população carcerária. Para o controle do trabalho não é a morte o central, mas o desemprego. É através dele que toda pressão sobre o trabalhador está baseada, na utilização do medo de ficar em situação de desemprego. As exclusões e desmoralizações são as formas de assédio e as cobranças se dão em cima do conceito de produtividade. As novas tecnologias de videovigilância permitem um controle maior dos trabalhadores, assim como ocorre nas prisões. A conseqüência é um aumento das formas extra-oficiais de punição através da violência moral, justamente o foco dessa pesquisa.

Texto completo:

PDF

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


ISSN 2319-0574