Multiplasticidade: Uma teoria fundamentada sobre a adaptação dos graduados ao inemprego

Patrícia Araújo, Filomena Jordão, José Manuel Castro

Resumo


Mundialmente, as mudanças no mercado de trabalho têm feito surgir novos tipos de relações laborais. Simultaneamente, o número de diplomados portugueses do ensino superior representa já cerca de 15% da população ativa1. A experiência do trabalho alternando relações precárias com desemprego ao longo da carreira é uma realidade na vida profissional dos graduados, que tem sido reenquadrada como o construto de inemprego[1] (anemployment). O objetivo deste estudo foi gerar uma teoria sobre como os graduados lidam com o inemprego, usando a abordagem da Grounded Theory. Vinte entrevistas com a história de vida profissional e experiências de inemprego foram codificadas sistematicamente no software Nvivo. A multiplasticidade é a categoria núcleo dos resultados e assim emergem quatro perfis de adaptação ao inemprego: Abraçar ao inemprego, aceitar o inemprego, Suportar o inemprego e combater o inemprego. Estes perfis têm implicações ao nível de políticas de ensino superior e de programas de empregabilidade para graduados.


[1] Essa designação, proposta pelos autores há alguns anos, é composta pela palavra emprego à qual se adiciona o prefixo de negação latino in-. Optou-se pelo prefixo in- no português, por motivos de sonoridade; contudo, no inglês, optou-se pelo prefixo de negação a, unido à palavra employment: Anemployment. Após diversos encontros científicos, foi possível trocar impressões com investigadores de outros países que contribuíram com a versão em Castalhano/espanhol (Inempleo), uma vez que também observam o fenómeno. Obviamente, em todas as línguas, essas palavras são neologismos (uma vez que a regra principal para criar um neologismo é exatamente que a palavra não exista e seja livre de significado)


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ISSN 2319-0574